Armando Silva é recandidato a Lustosa/Santo Estevão

Revelou aos microfones da Rádio Vizela, no programa Corta e Prega.

Armando Silva é o presidente da Junta da União de Freguesias de Lustosa/Santo Estevão, pertencente ao concelho de Lousada. Esteve no Corta e Prega da Rádio Vizela para falar de si como autarca, como pessoa e como empresário de sucesso. Aqui fica uma parte da conversa que está disponível para ouvir na íntegra em podcast no site da estação emissora.

 

RVJornal (RVJ) – Quantas horas devia ter o seu dia para conseguir fazer tudo o que precisa?

Armando Silva (AS) – É uma boa questão, um presidente de Junta quando trabalha com amor à camisola e com uma freguesia como Lustosa, uma das maiores do concelho de Lousada, a verdade é que dava jeito alguns dias terem 48 horas. Mas há outros dias em que até dá para descansar um pouco.

 

RVJ – Será recandidato nas Autárquicas deste ano?

AS – Tudo indica que sim porque lancei um repto aos meus colegas em dezembro de 2019 e não apareceu ninguém para avançar. Ainda posso fazer mais um mandato e não sou pessoa de atirar a toalha ao chão. Além disso, sei que a alegria da grande parte das pessoas é saber que vou continuar. E hoje estou aqui para dizer que vou ser recandidato à Junta de Freguesia de Lustosa e Barrosas (Santo Estevão).

 

RVJ – É mesmo natural de Lustosa?

AS – Sim, nasci em Lustosa, no Lugar da Mana e aos cinco anos os meus pais mudaram-se para o Lugar de S. Roque. Éramos oito irmãos e tínhamos uma vida não muito fácil. Com 15 anos fui trabalhar para a “Têxtil Vizela”, casei aos 20 e sempre trabalhei para casa. Ainda tinha um “part time” para mim, das 08h00 às 12h00 numa empresa de materiais de construção. Esse dinheiro era para mim e comecei a fazer um pé de meia, por isso consegui atingir os meus objetivos muito novo, comecei a vestir bem muito cedo e comprei uma motorizada, com muito esforço.

 

RVJ – O que marca a sua infância?

AS – Foi uma infância feliz. Os meus pais construíram a casa aos poucos, e na altura trabalhavam poucos irmãos. O meu pai também tinha os sete ofícios, trabalha também na “Têxtil”, era barbeiro e vendia lenha. Tudo isso fez com que esses oitos filhos nunca passassem fome. A minha mãe era doméstica, estava mais por casa a organizar a vida com os filhos. Foi uma rainha e uma lutadora.

 

RVJ – Nunca faltou na mesa?

AS – Nunca faltou, mas havia alguma dificuldade, como em todo o lado naquela altura. Mas éramos felizes, brincávamos muito e hoje, quando olho para trás tenho muitas saudades desses tempos.

 

RVJ – Estudou até que ano de escolaridade?

AS – Estudei até ao sexto ano. Aos 13 anos cheguei a casa e digo que quero ir trabalhar. O meu pai disse-me que ainda era cedo, mas eu pedi-lhes para ir ajudar a minha tia para uma quinta trabalhar e dormir lá. Estive lá cerca de um ano. Um dia apareceu-me o meu pai a dizer que me tinha conseguido um trabalho e sair da quinta deixou-me muita pena, vim embora a chorar. Mas lá fui ganhar 20 escudos por dia, como garageiro, numa oficina de motorizadas. Trabalhava dez horas por dia. Depois acabei por ir trabalhar para a “Têxtil Vizela”. Mas continuo com um desafio grande que era trabalhar num sítio das 08h00 às 12h00 e noutro sítio das 13h00 às 23h00. E aos sábados e domingos aproveitava as horas extra.

 

RVJ – Decidiu casar cedo, porquê?

AS – (Pausa) Foi o regime e a educação severa que havia antigamente. Não falo do meu lado, mas do lado da minha esposa. Namorava-se naquele sítio, fizesse chuva ou sol, dificuldades que os jovens de hoje não tê, faziam com que pensássemos cedo em resolver a vida. E a solução era casar.

 

RVJ – Quais as maiores recordações que guarda dos tempos da “Têxtil Vizela”?

AS – Guardo muitos e bons momentos dos nove anos que lá passei. Quando saí, sonhei anos com a tecelagem, não foi fácil me libertar facilmente. Entrei com 15 anos, vivi, criei amizades. Fazia um pouco de tudo, e as saudades eram muitas. O número de amigos era muito grande e deixa-me muitas saudades.

Quando saí pedi dez contas ao meu irmão, emprestados, para dar entrada para tirar carta de pesados. (…) Mais à frente comprei e tive uma confeção durante nove anos, entretanto a têxtil cai, e surge uma oportunidade de comprar uma serralharia bem equipada. Pensei, quem vende flores, consegue vender roupa ou fruto. Tinha conhecimentos de gestão e ainda cá estou.

 

RVJ - Nunca teve mede de arriscar?

AS – Nunca, gostava de arriscar muito mais. Mas Deus ajudou-me a ter uma vida estável, não sou ambicioso e gosto de ajudar os outros. Na minha empresa tenho uma filha, a Marlene, que é um anjo do céu. É o meu braço direito e ajuda-me, até para eu poder me dedicar a outros afazeres. A Cátia é médica farmacêutica também é um anjo.

O que mais gosto na vida e aquilo que nunca abdicaria é a minha família.

 

RVJ – Como entra a política na sua vida?

AS – Quando nunca pensaria que entrasse. Nunca me passou pela cabeça um dia ser candidato a qualquer coisa. Foi numa luta pela redução do valor do saneamento para os níveis que tinha Paços de Ferreira. Liderei a movimentação, em 2007, fiz reuniões na minha casa e era o porta voz do descontentamento. Cheguei a reunir com o dr. Jorge Magalhães, que eu respeito muito, ele não achou boa ideia, mas passado um mês baixou o valor. O grupo que estava comigo lançou em 2008 a ideia de nos candidatarmos e arrancámos em 2009 e fui como independente. Tivemos uma boa votação e fiquei a Secretário do Executivo de Lustosa.

Em 2013 fiz uma formação e candidatei-me pelo PSD, ganhei e em 2017 assumi de novo uma candidatura e cá estou.

 

RVJ – Como autarca, sente-se realizado?

AS – Sim, muito. Deixa-me feliz tudo o que a Junta de Freguesia conseguiu. Gostaria de terminar tudo o que está no terreno. Na Rua de Cristelo a obra ainda deverá arrancar e gostava de alargar a Rua das Alminhas que é uma necessidade para Lustosa. De resto, até ao fim do mandato, temos uma aposta no Manto Branco, mas como o projeto ainda não tem pernas não quero adiantar o assunto.

 

RVJ - É um homem vaidoso?

AS – Muito, nunca fui capaz de sair com um carro que não estivesse limpo. Quando me visto, gosto de olhar para mim, vou ao pomar tirar fotografias (risos). Gosto muito de arriscar nos padrões e quem não estiver bem que se ponha. Tenho um fato muito arriscado, vesti-o e fui até Ponte de Lima num dia de festa. Via à distância as pessoas a tocarem uma nas outras para olharem para mim.

 

RVJ – Era assim tão escandaloso?

AS – Não, mas há pessoas que não estão habituadas a ver algo diferente, estilo “Goucha”. E em Nazaré até me confundiram com ele (risos). Adoro ver montras e quando gosto de algo não me escapa.

 

RVJ - Qual o segredo para singrar na vida?

AS – Passa pelo nosso esforço, sem ele não temos nada. Planear a vida no tempo em que demoramos a adormecer, analisar orçamento familiar e, se houver condições, dar passos. O que faço é ocupar o cérebro de forma útil.

 

 

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