Ana Bárbara Pedrosa apresenta novo romance em Vizela

O novo romance de Ana Bárbara Pedrosa intitula-se “Amor Estragado” e vai ser apresentado em Vizela na próxima semana. É o terceiro romance da escritora e a Rádio Vizela quis saber mais sobre o novo livro da vizelense.

“O livro é bem diferente dos anteriores, está escrito na primeira pessoa, são dois narradores - dois irmãos -, numa família de quatro irmãos, toda a família vive no centro de Vizela, a primeira frase do livro é de um dos irmãos, que se chama Manel, e diz: “Matei a minha mulher”. E depois todo o romance, contado nestas duas vozes, vai mostrando a história da dissolução da família, não exatamente sob o ponto de vista da violência conjugal, mas mais a forma como os laços entre irmãos se foram quebrando, pela forma como a vida desse primeiro narrador se foi desenvolvendo, com álcool à mistura, com violência à mistura, e acaba por ser também sobre a forma como a família de origem, que parece uma coisa intemporal e garantida, pode perecer perante as más escolhas que se vai tendo ao longo da vida”. As palavras são de Ana Bárbara Pedrosa, em declarações à Rádio Vizela.

A história passa-se, assim, em Vizela. A escritora salienta os “apontamentos” sobre alguns locais, como “o passar na “Fina”, o estar no “Superrmercado Universal”, na Praça, claro que a vida da cidade em si não é tão importante para o livro quanto isso, interessa mais a questão das ligações entre os membros da família, essa família teria sempre de viver em algum lado, o terreno de Vizela, para mim, seria confortável em termos de conhecimento quotidiano, de utilização de linguagem, daí essa decisão”, explica.

“Amor Estragado” centra a sua história nos laços familiares, um tema que a autora considera “muito fértil para escritores”. “Partindo-se do núcleo de uma família qualquer dá para se fazer o que quer que seja, e eu sempre gostei muito - e também uso isso nas crónicas - de trabalhar as relações entre as pessoas e de pensar que a forma como se diz [alguma coisa] acaba por influenciar uma relação à posteriori, mas também o que não se diz acaba por fazê-lo também, [gosto] de trabalhar e brincar com aquela subjetividade dos pensamentos de umas pessoas em relação às outras, das expetativas  que ficam quebradas”. “A questão da família é muito fértil e é um terreno que atrai por causa do potencial que tem”, considera.

Este é o terceiro romance da escritora e o processo da escrita é, para si, “um desafio”. “Eu gosto muito de partir para um romance, primeiro achando que não vou conseguir fazê-lo, porque a partir do momento em que eu o acho, todo o momento em que o realizo é a realização de um desafio”. “Gosto da ideia de ir expandindo a escrita, ou seja, tratar a escrita quase que como um músculo que vai aumentando e vai sendo capaz de fazer coisas diferentes”. “Não gosto da ideia de repetir fórmulas, de ter um terreno confortável”. “Claro que o conforto é confortável, portanto encontrando uma fórmula poderia ser melhor repeti-la, mas como a escrita não é uma coisa obrigatória, é um desafio que eu me imponho, dá sempre mais vida interior fazer coisas diferentes e até não fazer a mínima ideia do que é que vou fazer a seguir”, salienta.

Em 2019, Ana Bárbara Pedrosa editou “Lisboa, Chão Sagrado” e em 2021 foi a vez de “Palavra do Senhor”. Em 2025 teremos novo romance? “É possível, ainda não tenho as coisas planeadas, tenho um livro na gaveta que está a descansar, estou agora a tentar tatear outras coisas, este livro também levou muitas voltas, a primeira versão é de 2014, portanto não dá para ter um calendário pronto, mas tenho pelo menos duas coisas na cabeça que quero concretizar proximamente”, respondeu.

O terceiro romance da autora será apresentado em Vizela no dia 12 de maio, pelas 21h00, na Casa da Cultura Joaquim da Costa Chicória.

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