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Flash de Memórias - 1987- Debate na Rádio Fundação

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Os anos 80 do século anterior foram, sem dúvida alguma, os de maior agitação no desenvolvimento da luta pela autonomia administrativa da nossa terra, no capítulo da batalha desencadeada em 1974 e vitoriosamente concluída em 1998, fruto do querer de sucessivas gerações e da generosa e persistente actividade desenvolvida pelo MRCV.

No dia 29 de Janeiro de 1987, o movimento autonomista, por sua solicitação, é recebido em Lisboa pelo ex-Presidente da República, General Ramalho Eanes, que havia assumido a liderança do PRD – Partido Renovador Democrático, partido que detinha no Parlamento relevante posição decorrente dos seus 45 deputados, inicialmente liderados por Hermínio Martinho, e que, por isso mesmo, constituía uma esperança de resolução positiva para a causa vizelense.

A perspectiva resultou frustrada quando na sessão plenária de 15 de Maio de 1986, os projectos de lei dos deputados independentes na bancada do PS, Gonçalo Ribeiro Teles e António Lopes Cardoso, resultaram inviabilizados devido à divisão de votos desses mesmo 45 deputados, que se comportaram do seguinte modo: 14 votaram contra, 10 a favor, 15 abstiveram-se, 2 não votaram, e 4 faltaram à sessão.

Devido aos rumores que circulavam nos corredores do Parlamento de um tal desiderato, antes de se iniciar a sessão e para que depois não houvesse equívocos, pedi a Ribeiro Teles e a Lopes Cardoso para que requeressem uma votação nominal, que o regimento da Assembleia da República contemplava. Foi esse o motivo pelo qual o MRCV entendeu pedir ao General Eanes para ser recebido, resultando desse encontro que o PRD se comprometia a dar colectivamente o seu apoio à causa de vizelense, mediante a reposição da legalidade democrática em Vizela.

O debate na Rádio Fundação, para o qual fui convidado pelo seu então presidente de direcção, Sebastião Félix (um vimaranense de há muito radicado na nossa terra por laço matrimonial) resultou de uma promessa que fiz ao director de informação da dita rádio, José Pinto, no interior da Assembleia da República, no referido dia 15 de Maio de 1986, quando a Rádio Fundação ali montou um permanente serviço de reportagem sobre a resolução da reivindicação vizelense que o Parlamento nesse dia decidia.

Com surpresa minha, deparei-me não com um, mas sim com quatro antagonistas, que aguerridamente me questionaram sobre os fundamentos da pretensão autonómica dos vizelenses, muito particularmente, sobre as reacções do povo de Vizela à falta de cumprimento de promessas pelos órgãos de soberania, classificadas de «arruaças», a que respondi contrapondo as evidentes explicações.

Foi um debate vivo, duro, mas simultaneamente respeitoso, que reputo necessário de ser ouvido integralmente, agora decorridos que estão 23 anos, para que quem viveu esse tempo o avalie devidamente e, aqueles nasceram depois, tomem consciência plena da sua plena dimensão.

Creio que me comportei bem nesse embate, como foi de concluir pela confissão do jornalista interveniente J. Serra, sem dúvida o mais cáustico dos meus inquiridores, por si expressa no semanário «Notícias de Guimarães» de 20/03/87:

(…) «Há quem opine que o Sr. Manuel Campelos saiu vitorioso deste embate». (…) De qualquer modo, quer a Rádio Fundação quer o Sr. Manuel Campelos estão de parabéns. Ambos souberam ultrapassar os «problemas» que um tal debate inevitavelmente acarretaria em termos de OPINIÃO PÚBLICA e só as mentalidades de pequena dimensão não conseguem ver nisto um desejo coerente de discutir os problemas de modo tão realista»).

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