Aguenta Zé!
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Estamos a assistir a um colapso da economia mundial idêntico ao de 1929. São muitos os que temem que volte a acontecer o mesmo de então. Os descontentes desempregados e espoliados, viraram-se para partidos com programas radicais. Isto aconteceu quase por toda a parte, e o número de democracias no mundo caiu a pique, à mesma velocidade dos indicadores económicos. Às vezes faz bem rezar e, estão a ser horas de o fazer. Só não sabemos, se para que sim ou não, aconteça como nas primeiras décadas do século passado.
Alexandre Herculano dizia em meados do século XIX numa situação política semelhante à actual: “Isto dá vontade de morrer!” Este Governo anti-social, hipertroikista e “austeritário” parece que só pára quando não tiver mais nada para nos esbulhar. Está mesmo a tirar-nos toda a alegria de viver. Está a pôr-nos um pouco mais próximo da vontade de morrer. É tal o desalento, que poucos se interessam já em ouvir os “entendidos”. Poucas ou nenhumas figuras públicas merecem ser escutadas. Ou porque já se sabe o que vão dizer (jogadores, presidentes, treinadores de futebol, sindicalistas e afins). Ou porque não são sinceras (primeiro-ministro e demais políticos do séquito) ou, ainda, porque são ambíguos os discursos, como são os de Cavaco e Silva. Razão tinha Fialho de Almeida (do século XIX, também) quando afirmou que a mediocridade e o não saber fazer nada, se pagava caro. Em S. Bento – dizia ele – cada espécie destas, vale três mil reis por mês. Agora, a mesma espécie vale quase seis mil euros e, a opinião que dela temos, é a mesma do Fialho.
É por isso que Alfredo José de Sousa, provedor de Justiça, disse há dias numa entrevista que o “Estado nem sempre é pessoa de bem”. Pois não, todos nós sentimos isso. Este provedor é uma raridade. Disse uma grande verdade mas, como o seu cargo não o deixou ser mais clarinho, vou sê-lo eu: o Estado é o somatório de instituições entre as quais se encontram os autores das leis, decretos, portarias, despachos normativos que nos (des)orientam e, como onde há leis há injustiças, o caso do senhor Catroga é um exemplo acabadinho. Não é que esta criatura, já na reforma, com uns míseros dez mil euros mensais, vê-se agora obrigada a ir para a EDP, arrecadar mais quarenta e cinco mil euros por mês e, ainda por cima, sem perceber porque vai ter de aturar a Celeste Cardona!? E ao saber que o seu indigitamento provocou uma onda de indignação nacional, ironizou. Olhe que há ironias que magoam senhor Catroga! Então lamenta que o país tenha tempo para discutir ninharias? Não sabe senhor Catroga, que há milhares de portugueses no desemprego, com faculdades e em plena idade para trabalhar?
Outra imoralidade, para não lhe chamar outra coisa, é a nomeação do senhor Manuel Frexes, autarca do Fundão, para administrador das Águas de Portugal. Então o homem vai passar de devedor a credor? Deve tantos milhares às Águas e vai para lá? Mais um escandaloso vencimento vai ser atribuído a quem mal geriu uma Câmara, e agora confiam tarefa de maior grandeza.
Só em Portugal acontecem absurdos destes. Criticaram o Cardeal de Lisboa por ter dito que ninguém sai da política de mãos limpas, e querem processar o Otelo por uma opinião há pouco emitida! Enfim, são tristes realidades e descaramentos revoltantes tudo o que vemos, mas, nem que muito custe, aguenta Zé!
O cronista reserva-se no direito de não aderir ao novo acordo ortográfico.



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