Os Olhos de Portugal
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De forma clara, Portugal continua a ter mais olhos que barriga. A expressão é ligeira, mas já não me parece razoável o comportamento dos portugueses. Continuamos a preferir a impressão do que a verdade, parecendo o que não temos forma de obter, dado que não temos capacidade produtiva para tanta mordomia.
Mais um exemplo vem do futebol, que mais parece um mundo à parte da realidade económica. À data em que esta crónica está a ser escrita apareceu mais uma novidade, aparentemente agradável, mas que em nada enobrece este povo à beira mar residente.
A mesma tem a ver com o custo de alojamento da seleção nacional no próximo europeu, a realizar na Polónia e na Ucrânia. O custo diário, de alojamento dos craques nacionais, departamentos técnicos e de suporte, passa os 33.000,00 euros. Só por si este valor soa a exagero, reforçado com a comparação a demais equipas que participarão no mesmo torneiro.
Portugal tem o custo mais elevado de alojamento. Espanha tem o custo menor, na ordem dos 4.700,00 euros por dia. Qual será a explicação?
Provavelmente, será dito que Portugal possa ter sido obrigado a gastar o valor em causa, devido a ter que se limitar às propostas que sobraram das escolhas das seleções, que ficaram apuradas mais cedo. Será? Da mesma fase, a Irlanda pagará 23.000,00 euros/dia, a República Checa 22.200,00 euros/dia e a Croácia fica-se por 8.300,00 euros/dia.
Enfim, continuamos na ilusão, em desacerto com o momento da economia, ignorando sinais claros de que há muitos a sofrer, com as condutas menos dignificantes de outros.
Depois, a culpa é sempre de outros, pois existirá sempre uma forma de desculpa e de justificação, para aquilo que já aborrece. É que parece tudo simples, quando o pretendido é garantir “rendas” de conforto.
Quando é que Portugal para e começa a fazer contas aos vários disparates já feitos? Quando é que se para de atirar os custos para a frente, para os anos vindouros, sem haver uma consciência sobre que tempo é que estamos a preparar.
Uma coisa é certa, Portugal, no seu conjunto, tem de perder a ilusão do facilitismo, das negociatas feitas em grupos de oportunidade, cujo único propósito é a garantia de que o futuro está acorrentado a contratos agora realizados.
Chamem o nome que se quiser a estes grupos de pressão, constituídos por cidadãos envergonhados de a eles pertencerem, mas que lutam por uma forma de vida, com garantia de um futuro risonho, construído em alicerces podres.
Assistimos a uma desmontagem do Estado Social, com a indução de soluções de divisão de património, mais em função de um mercado de capitais que resolve temporariamente um problema, mas levando a compromissos que enredam o estado em circuitos de despesa em espiral de subida.



Alguem percebe? Ou nao é para perceber?
Afinal a crise nao é para todos.
Pelo menos aqui já ganhamos!!!
VIVA PORTUGAL
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