Tarouca Vale a Pena - Congresso

Pedro Marques

2018-05-30

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Já para os leitores do RVJornal nós trouxemos textos escritos por nós sobre o evento “Tarouca Vale a Pena” o qual foi dedicado a obras de autores regionais. Iniciativa que teve a preocupação da divulgação de valores de autores sem vez nem voz nem lugar. E, embalados neste aliciante convite, lá fomos nós à descoberta de terra - cidade e concelho - que não conhecíamos. E em boa hora o fizemos. E se para o ano formos vivos e com saúde e de novo nos for feito tão honroso convite, iremos acolhê-lo com redobrado entusiasmo.
Não gostamos de ser dos que alinham na crítica do “nada se faz em Vizela”. Nós somos uma pessoa activa e de esperança e de optimismo, na certeza de que a Esperança é a última a morrer. Pois bem. Mas, desta vez, temos de lamentar que em Vizela neste âmbito da ARTE onde a de escrever também se inclui, não se tenha pensado ainda num evento de tamanha magnitude, onde o trabalho e mérito dos autores e suas obras ainda não foi pensado nem transformado em evento municipal cultural como este de Tarouca. E ter sido preciso ir tão longe para se reconhecer o mérito dos valores que há em Vizela e dar-se lhe o devido relevo. Em Tarouca, fomos bem acolhidos! Em Vizela, e neste âmbito, os autores do concelho continuam a ser uns eternos esquecidos para não dizer desconhecidos. Se não gostamos de fazer críticas, desta vez, porém, temos de fazer este reparo.
Ora bem: Tarouca fez o convite a autores regionais. E nos “autores” não entravam apenas os que gostam de escrever – como nós, sem, todavia, nos incluirmos no pomposo título de “escritor”. Um fato onde nos sentimos “apertados”. Embora os “santos ao pé da porta não façam milagres” e onde o “nacional é que seria bom” e não o que vem de fora, sabemos que há quem goste de nos ler e isso reconforta-nos bastante. Reconhecer, porém, o mérito de escrevermos e da qualidade do que escrevemos, foi preciso ir fora. Neste caso, a Tarouca. E não só a nós: também esse mérito a outros foi reconhecido. E ao contrário de uns tantos que pensarão que nós somos “bicho do buraco”, isso não é verdade. Estamos sempre atentos ao que neste âmbito, e noutros, se passa fora do nosso concelho. E em que participamos presencialmente sempre que nos seja possível. Até para reconhecermos que, no âmbito da cultura que não cabe no circuito do desporto que é uma tentação (ou falta de sensibilidade e cultura?) também do nosso município, autarquias do interior - como neste caso o de Tarouca - estão muito avançados e sabem dar o devido relevo e reconhecer o mérito de quem, é “autor”: seja na literatura (prosa ou poesia); seja na pintura. Escultura, seja noutra expressão de Arte. E teatro é também arte. E aconteceu teatro. Sabem quantas foram as inscrições de “autores” no “Tarouca Vale a Pena”?... Duzentas! Do alto Minho ao Algarve, passando pelas Beiras desde as aldeias beirãs “históricas” da raia e Douro e Alentejo e por todo o distrito de Viseu, com todo o sabor das cerejas e cidade de Lamego. Houve representantes da Póvoa de Varzim, que levaram consigo o sabor e aroma da maresia. E sabem por que não se pôde aceitar mais inscrições?... Porque ficou esgotada a capacidade do auditório municipal de Tarouca. Para lá dos quantos nele tinham por inerência o respectivo assento. E muitos outros, com pena de Tarouca e com pena dos candidatos à inscrição pela não aceitação por falta de condições e de espaço, essa inscrição não pôde ser aceite. 
Ora, um evento assim, em Vizela, na verdade, seria impossível em termos de espaço para tanto autor. Há auditórios, na verdade, mas limitados quando a união de todos estes poderia ter resultado em benefício colectivo municipal onde todas as forças vivas de Vizela como de fora, teriam um espaço de acolhimento condigno. E é pena que as estruturas de um auditório assim tão amplo no edifício-sede do município, continue esquecido à espera de ALGUÉM que, passados que estão já vinte anos da criação do nosso Município, se lembre que tal espaço, que até nos parece bem mais amplo em termos de capacidade de recepção de pessoas, continue ainda “em grosso” com todas as suas infra-estruturas à mostra.
E por hoje, prezado leitor amigo, ficamo-nos por aqui. Há uns bons anos atrás, dizia-se que o perfume dos cravos cultivados em Nice, chegava a mais de 5Kms de distância. Imaginemo-nos, ainda, no nosso belo jardim com tanta rosa florida. Imagine-se, agora, o leitor amigo, com tanta flor branca do sabugueiro que em Tarouca é até cultivado em pomares. Imagine-se a passear por avenidas cheias de tília em flor fragrante E imagine-se, agora, a passear pelo meio de tanto sabugueiro em flor e a deixar-se enlear pelo seu aroma tão doce e pastoso. Se o puder, visite ainda por estes dias esta preciosidade de Tarouca e não se arrependerá. Tarouca está a celebrar a sua “Festa do Sabugueiro em Flor”. E espera por si, leitor amigo.
Com o abraço amigo de sempre.