Remate Certeiro 14/09/17

Hélder Freitas

2017-09-14

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Há relativamente pouco tempo aproveitei este mesmo espaço para me insurgir contra os mecanismos criados pela Liga para de alguma forma adulterar o sorteio da Liga Nos, com uma série de condicionalismos que só existiram para privilegiarem os três ditos grandes,  retirando dessa forma todo o sortilégio puro que um sorteio natural acabaria por dar.

Agora, nem dois meses depois e no mesmo espaço de escrita quero voltar a falar das vantagens dadas aos ditos clubes acima falados. 

O sorteio da Taça da Liga sempre foi, apesar de ligeiramente reformulado, para potenciar a supremacia dos grandes sobre os outros. 

Por altura do sorteio do campeonato não me recordo de ouvir a reclamação de alguém, mas pelo menos no sorteio da Taça da Liga Carlos Pereira o presidente do Marítimo veio a terreiro falar disso mesmo e fica clara a ideia de que “a raia miúda” vai ter de se unir se é que quer competir com o mínimo de igualdade possível. Foi uma espécie de grito do Ipiranga, não para reclamar a independência de uma nação soberana, mas uma revolta do género: “se lhes querem dar  a Taça, entreguem-na e nem precisam de realizar a competição”. 

Dois jogos em casa e um fora, não lembra a ninguém, menos a quem quer que a Taça seja ganha por quem já tem muitos títulos e assim, pela subserviência dos demais, vai colecionando mais alguns. 

A menos que eventualmente surja outro Moreirense pelo caminho, mas como muito bem disse Manuel Machado, “serão precisas décadas para voltar a acontecer outro acontecimento assim”, de um pequenino vencer os todo poderosos, quando até os organismos que tutelam o futebol português têm essa bajulação por esses mesmo clubes.

Mas nem sequer haveria essa necessidade. Compreendo que esses clubes possam fazer contractos megalómanos com encaixes financeiros fantásticos com a venda dos direitos televisivos porque são sobretudo eles que “alimentam” as televisões, fruto do maior número de telespectadores que verão os jogos. Ainda assim, também me parece que a discrepância existente é profunda e não deveria haver lugar a assimetrias tão vincadas e aqui, totalmente de acordo com aquilo que Manuel Machado disse em plena conferência de imprensa do Estádio do Dragão, depois de um jogo em que se viu impotente para contrariar o poderio do FC Porto: “o campeonato são três clubes e o resto é carne para canhão”. 

É triste, duro e uma afirmação muito crua e nua, mas a mais pura das verdades. Enquanto houver discrepâncias financeiras como as que existem, conciliando com sorteios que privilegiam uns em detrimento de outros, cada vez mais, com a conivência dos pequeninos, caminhamos para que as competições de futebol em Portugal façam jus às declarações de Manuel Machado. 

E aí, meus amigos, o futebol perde grande parte do seu interesse (da sua piada) que passa, pelo menos na minha lógica, pelo David vencer o Golias.