Remate Certeiro 07.06.2018

Manuel Marques

2018-06-07

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Reconhecer o trabalho que os jornalistas ou simples colaboradores de imprensa regional fazem em prol das instituições e da comunidade onde estão inseridos é mais difícil do que dois camelos passarem no fundo de uma agulha.
 
É verdade que os homens e mulheres da comunicação social fazem o seu trabalho (e ninguém duvide da sua importância) sem estar à espera de nada, sejam medalhas, troféus de galas e galos,  diplomas, votos de louvor por unanimidade, jantaradas ou outros opíparos e souvenirs, mas a ingratidão dói-lhes como aos demais mortais.
 
Quando os jornalistas, jornaleiros ou não, ou cabouqueiros da comunicação social são solicitados pelas tais entidades ingratas, lá estão eles prontos a servir. Mas quando se trata de distribuir convites e reconhecimentos os mesmos que pedem e beneficiam com a informação são os mesmos que ignoram e viram a simpatia apenas para o que lhes convém. 

Não é justo nem correto. 

Todavia a culpa é dos jornalistas e do seu masoquismo pois mal levam com a porta na tromba estão logo aprontados para outra. É pena que algumas instituições, desportivas,  políticas, culturais,  etc. sejam geridas por ingratos, pessoas que dizem estar para servir e esquecem aqueles que mais os  servem,  que os promovem bem assim como às agremiações que representam e de onde muitos tiram benefícios colaterais.
E porque esta coluna é cingida à opinião Desportiva, repare-se como aos poucos vão-se trocando as voltas ao jornalismo desportivo. Como? Abafando-se a informação a quem acompanha os clubes durante a época inteira, obrigando os jornalistas locais ao triste papel de “corno” porquanto são os últimos a saber das novidades contratuais de jogadores e treinadores, vendo-se obrigados esses a pesquisar a informação em órgãos de informação distantes. Por estas alturas os dirigentes desligam os telemóveis, estão-se nas tintas…e estamos a falar em termos nacionais.
 
Os tempos hoje são outros no mundo da informação desportiva até porque a maioria dos clubes abraçaram a ideia peregrina de fazerem eles próprios o papel de jornalistas criando órgãos de informação próprios na rede e nomeando diretores de comunicação que em lugar de se revelarem apoiantes dos jornalistas fazem-lhe uma concorrência sagaz e de todo incompreensível (quando o que importa é a promoção do Clube seja ele qual for) mais parecendo o muro que Donald Trump deseja construir entre o México e os EUA do que a ponte que o Victor Hugo disse que vai construir entre Tagilde e Santo Adrião. Admira-nos que Marcelo Rebelo do Sousa, que tem opinião para tudo, ainda não abrisse a boca sobre este qui-pró-quó. Adiante.
Finalizamos com votos das maiores felicidades para o novo treinador Rui Amorim que foi dispensado do Leiria por ter falhado o play-off ocupando o lugar de Carlos Cunha que saiu o Vizela pelo mesmo motivo. A talho de foice ficam também os votos de felicidades para Ivo Vieira treinador que, depois de ter deixado cair de divisão o Estoril, ocupou o lugar de Petit que salvou o Moreirense da despromoção. Trocadilhos.