Quinta da Torre de Santa Eulália

Pedro Marques

2017-03-16

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A Capela de Santa Teresinha


Naturalmente que à capela da Quinta da Torre o nome do snr. Albino Simões jamais deixará de estar associado. E por isso lhe pedimos para tirar uma foto. E tiramos a foto, sob a imponência do “castelo” como pano de fundo. Que, depois do que ficou escrito, não é uma extravagância. Mas sim, um repositório memorial de um passado de quase mil anos. Debrucemo-nos, agora, um pouquinho sobre pormenores da capela e o seu “adro”.  Comecemos por este…O adro, com o nome de João Paulo II por ser o papa reinante ao tempo da sua construção, é folgado e dele se desce para o largo em redor por dois lanços de escada em granito que dão para um jardim e uma fonte onde é também abundante o arvoredo. Há um tanque e uma linha de água. Quando fomos visitar a capela em Novembro, o chão encontrava-se juncado e adornado com as folhas outonais caídas, emprestando a todo o recinto uma belíssima tela de cores da própria Natureza nos seus tons quentes de saudade e nostalgia de pores-de-sol eternos. Quando fomos visitar a capela, no primeiro lanço do escadório descia uma passadeira vermelha. Como referimos já, a (cabeça) da capela está orientada para nascente. O telhado, na sua cor própria – entre o vermelho e o laranja. Paredes exteriores de uma alvura (quase) imaculada. Torre  com remate em jeito de fortaleza  com ameias. Voltada para nós, logo abaixo, a “janela” do sino emoldurada em alto relevo no estilo neoclássico. Logo abaixo, uma outra janela. O frontal segue um pouco a imitação do mesmo estilo, cuja porta de entrada, em duas folhas almofadadas, é possante na volumosa  pesada madeira utilizada, da cor do mel. Os contornos  graníticos da porta igualzinha à da “janela” do sino. Só que – esta da porta - em ponto bem maior. Na parede lateral direita, grandioso painel de azulejo sobre cujo fundo azul sobressai a figura da Sta Teresinha. E ao lado da entrada principal, uma escultura de N. Senhora. E agora vamos tentar deixar uma ideia de que como é a capela no seu interior. A começar pela cabeceira. A emoldurar a parede, um arco de granito de volta inteira, apoiado em capitéis laterais, rectangulares. E entre estes e as suas bases, coluna cilíndricas aos pares. Todo o granito utilizado nesta capela parece ser da mesma origem. Acompanhando por dentro este arco de volta inteira e colunas, um outro. De madeira castanha, com ranhuras paralelas na horizontal de baixo relevos. E na amplidão do espaço, um painel em tons dourados e azuis e rosa onde voam anjinhos à volta de Cristo Crucificado. Seis de cada lado, a par uns dos outros na disposição de dois-três-um. Neste painel e abaixo da cruz, um sacrário. Na forma oval de rebordo tipo filigrana em tons dourados e almofada castanha ao centro. O rosto de um anjo encabeça a filigrana e no centro da almofada, a porta do sacrário, em tons de oiro no cálice e a hóstia com raios de luz.

Na base do painel, saliente, o altar. No momento da nossa visita, sobre a toalha alva e rendada com relevos de motivos eucarísticos, uma jarra em cada extremo. Com flores vermelhas. E um pequenino microfone. No corpo do altar, num relevo quadrado, os símbolos da Eucaristia. No patamar de cima das escadas, um arranjo de flores tipo bouquet, onde sobressaem flores cor-de-rosa. Depois deste mais dois degraus até ao chão da capela. E ainda um círio. Nas laterais do altar, dois nichos rematados em arco. Na peanha do lado esquerdo, a imagem de Sta Teresinha, com flores de rosa, ao aconchego do peito e na mão direita.  E abaixo da peanha, uma jarra com flores, iguais às do altar. Do outro lado, e sobre a respectiva peanha, a imagem da Senhora de Fátima. Com um ramo de “verdes” abaixo.  Do lado esquerdo do altar, a cadeira abacial e uma tocha em talha dourada. Com círio. E do outro lado, o ambão. De ambos os lados ainda, bancos. E uma mesinha, do lado esquerdo com toalha alva. Tudo isto no patamar do altar. E logo abaixo das escadas, de cada lado, um genuflexório almofadado em veludo vermelho. Nas paredes laterais sobre o comprimento da capela, em plano superior, duas janelas tipo vitral em forma de cruz em tons de oiro e azul. E  a seguir  e ao cimo da parede e a todo o comprimento, os painéis ou molduras da “via sacra”. Em azulejo de caixilharia de granito. Como de granito é a cruz sobre cada  moldura. Cruzes estas similares à  cruz de Malta. No acompanhamento das paredes interiores da capela com moldura de madeira castanha, lambrins de azulejo, com desenhos e tons  em verde . Ao fundo, a um lado uma pia de água benta; e do outro, a  pia baptismal, com um jarro de água.

À esquerda da capela-mor, pequenina sacristia com armário para guardar as alfaias da liturgia e sobre ele uma imagem do S. Bento. E de novo no “corpo” da capela, ao fundo e por cima da  porta principal de entrada,  e sob o tecto,  o espaço do coro, em madeira. Apoiado em sólidas pilastras emergidas da estrutura das paredes laterais.

E resta-nos agora, deixar uma ideia da “entrevista” que fizemos ao snr. Albino Simões no decurso da qual houve animado, comprido e profícuo diálogo, do qual passamos a reproduzir alguns excertos. Digamos, entretanto que nós e este snr. Albino Simões não somos totalmente desconhecidos. No nosso passado de já mais de duas décadas, há dois pontos comuns: éramos nós funcionário do então Banco Nacional Ultramarino do qual ele era cliente; e fazíamos nós a contabilidade de uma empresa em Gandarela – hoje Domingos de Sousa  & Fºs S. A., da qual também este snr. era cliente, ao tempo como exportador de têxteis-lar para França. Assim na presença um do outro, reatámos esse passado.

 - Gostaria que nos falasse um bocadinho do “passado”  da capela da Quinta da Torre” … Se é que tem “passado”…

- Não. A capela do Torre nasceu pela seguinte maneira: Eu comprei a quinta da Torre… e reestruturei-a, porque estava tudo com silvas. As casas estavam abandonadas…

-  … Como estão todas na maioria das quintas…

- Entretanto, há uma filha minha que casa, que trata o casamento e pede-me se podia fazer o casamento aqui na quinta da Torre. Pronto. E depois, tive a ideia de lhe fazer uma capela. De construir a capela…

- … Então, a capela nasceu consigo. Não existia antes…

- A capela nasceu comigo. Fiz-lhe a capela… Ela (a minha filha) é Teresa. Portanto, é Teresa. (Porque), em França, há uma santa que é Sta Teresinha do Menino Jesus, que é de Lisieux. E então, como ela é Teresa e ela estava em França, a padroeira da capela é Sta Teresinha do Menino Jesus. Pronto. E foi aí que a capela nasceu.

- Há quantos anos vai isso?...

- Isto vai… Fica a pensar e a filha ao lado ajuda-a:

- Foi em 2001.

- Em 2001. 2.000… Mas ela começou a ser construída no ano de 2.000. E foi estreada… Inaugurada no ano de 2001. Com o casamento da minha filha. E depois fizeram-se ali muitos casamentos porque, ao tempo, a igreja de Sta Eulália esteve em obras… E depois, fazia-se aí as cerimónias litúrgicas (…) Foi assim que ela nasceu. Falei com o P. Lemos, fui à Sé ao Porto, porque a diocese é a do Porto… era bispo na altura D. Armindo… Pedimos autorização para fazer (a capela), recebíamos aqui de quinze em quinze dias a visita… não sei como é que isso se chama… da pessoa ligada à Igreja, dos obras (“ você não pode fazer o que quer…”). Portanto eles é que decidiam)…) sobre a arquitectura, o altar… essas coisas todas. A gente… eles diziam-me “não pode fazer assim. Tem que ser assim e tem que ser assim…” E a gente fez conforme eles mandaram fazer. Pronto. E depois foi inaugurada… Foi benzida com pessoas aqui… Por sinal, também a senhora de que me falou há bocado, da Taipa… Sempre com “aquele abraço” de amigo