HOMENAGEM PÚBLICA A ANTÓNIO ALVES PINTO DA LEVADA VAZIA À ULTIMA PEDRA

Pedro Marques

2019-05-23

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No sábado passado no decurso de uma das etapas da “Feira do Livro” de Vizela, foi prestada homenagem pública a António Alves Pinto, poeta-escritor de Infias, o qual nos deu a honra de termos sido seu amigo, numa amizade recíproca, durante mais de trinta e três anos. Na verdade, esta amizade começou pelos nosso quarenta e cinco anos e terminou, em vida, quando ele faleceu.
Já aqui nos referimos a ele, numa homenagem pessoal nossa por alturas do seu passamento para o outro lado do “fio de aranha” que separava o nosso do outro mundo  que ele viu em sonho e de onde do Norte e em direcção que pensou  a si, o “nosso” poeta-escritor-poeta  viu caminhar um homem de estatura forte e alto e vestindo uma túnica azul do pescoço aos pés, nos quais calçava umas sandálias.
 E então, vindo do lado norte e descendo uma encosta onde havia pinheiros e penedos, ao vê-lo,  não teve dúvidas: era o “seu” Senhor das Chagas, tanto da sua devoção e tão venerado em Infias e quem todos os anos sobe em peregrinação penitencial  à capelinha de Santa Ana, ali no monte Alijó.
E, no sonho, esperou então que este Senhor na descida passasse por si. Como na verdade passou. Mas que, na passagem, não ligou pevide ao nosso amigo A.A. Pinto, a Quem até  suplicou o perdão dos seus pecados. E Ele, sem para o nosso amigo olhar, passou e andou e foi então que o nosso amigo foi atrás dele dizendo-lhe: -”Senhor! Eu sou Teu amigo!”. Porém, o Senhor passou, não olhou para ele, não sorriu, nem falou. Mesmo assim, o nosso amigo A.A. Pinto não desistiu: chegando-se a Ele e como este Senhor das Chagas era alto e possante – e o nosso amigo era também alto e possante – tentou abraçá-lo o mais alto que pôde. E diluiu-se o fio de aranha onde gotas de orvalho, com a luz do sol, brilhavam como cristais; linha esta que separava o nosso mundo desse outro mundo de onde ele descera montanha abaixo.
Este, o sonho de A. A. Pinto, descrito no seu último livro – a Última Pedra. Livro onde não está apenas o registo deste sonho. Como estão considerações de reflexões muito pessoais deste poeta-escritor-poeta sobre o Sobrenatural e onde também se interroga se Jesus será, na verdade, nosso amigo.
É que o nosso poeta-escritor-poeta, entende a amizade e o conceito de amigo a partir da nossa experiência de vida onde somos solidários no sofrimento e nas dersgraças, com todas as calamidades e desastres físicos e morais abatidos sobre a humanidade. E que  segundo  o seu raciocínio de natureza humana já  que não temos capacidade de “penetrar” no Pensamento Sobrenatural, tais desastres e tanta injustiça nunca deveriam ter sido consentidos por parte de Quem nos ama.
 E outras considerações há neste livro tão pequenino como é o de “ A Última Pedra”.  Livro para nós que tanta vez falamos com ele e sobre pensamentos dele assim em reflexões carregadas de dúvidas, onde está um pouquinho da construção dos alicerces da sua vida de Fé na relação da Natureza com o Sobrenatural. E dessas confidências dele connosco sobre esta temática, delas nós temos o nosso registo, guardado também com selo a sete chaves.
 Tem muito que se lhe diga, este livro “Última Pedra”. Mais que o sonho da visão do “seu” Senhor das Chagas, está o seu questionamento sobre a Natureza e o Sobrenatural. Também este nosso amigo A.A.Pinto com a  sua angústia própria na sua interrogação de dúvida: será, então, Jesus nosso amigo, se na verdade não impede toda a desgraça abatida e cuja maior carga  é sobre os mais frágeis, os indefesos, os pobres, os desgraçados? Curiosa esta interrogação, também feita em vida pela agora “beata” irmã Teresa de Calcutá.  Que se questionou sobre se haveria realmente Deus perante um mundo assim. Por sua vez o livro “Primeira Pedra” deste nosso autor A.A. Pintoifoi um hino em poesia à construção da igreja nova de Infias.
Na homenagem a este poeta-escritor-poeta foi feita uma radiografia à sua vida pessoal e profissional, pela exma Dra Conceição Lima que ao poeta-escritor- poeta abriu as portas do infinito da internet, através do programa “Hora da poesia “.  Na verdade, a internet é a porta para o dom da ubiquidade e da imponderabilidade.
Como também já de parcelas de outros dotes do corpo glorioso - da impassibilidade e da claridade; da agilidade e da subtilidade.  Ao ponto de e sem sairmos do nosso lugar, estamos a ser vistos em simultâneo em todo o globo terreste. Isto é um milagre, meus amigos. Faltam-nos,  ainda, alguns destes dons, como também o da impassibilidade  -  “enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.” (Apoc. 21,4). Por este dom, a pessoa humana jamais sentirá qualquer dor, sofrimento ou incómodo. E é neste estádio sobrenatural em que o nosso amigo A.A. Pinto já se encontra. Quem sofre neste mundo todas as adversidades da vida, já purgou nesta vida o seu inferno, penando pelos pecados dos outros.
Ainda nesta homenagem, na parte que nos dizia espeito, viajámos também um pouco pela substância de alguns dos seus livros. Como por exemplo, o da “Levada Vazia”. Que nasceu também nas nossas mãos. Digamos que AAPinto  foi o ventre da sua gestação. E nós fomos a parteira desse livro. Escrito à mão em livro de mercearia, com ele até Lisboa em acções de formação fizemos viagens de ida e volta, lendo-o. E com ele à mesinha da cabeceira do nosso quarto adormecemos. E depois de lido, e até relido nalgumas passagens, ao restituir-lhe, para nós tamanha preciosidade, o incitámos à sua publicação. E foi publicado. O primeiro de uma torrente de mais livros publicados, dos quais o “Levada Vazia” foi o dique rebentado. E isto, meus amigos, começou pelos nossos quarenta e cinco anos e quase pelos sessenta dele. Numa amizade nascida com este livro e selada com o “Última Pedra”.
Na família presente notou-se o orgulho de nela ter nascido um HOMEM com a estatura de A.A. Pinto e de o seu VALOR ter sido assim reconhecido e homenageado publicamente. A nós, e com a nossa humildade, mas também com não menor orgulho, sentimo-nos gratificado por a Família se ter lembrado da nossa pessoa para se falar do HOMEM e da sua Obra  e para a apresentação do livro “Última Pedra”. O nosso agradecimento à família.

Com o abraço amigo de sempre.