Editorial 18 de abril de 2019

Fátima Anjos

2019-04-18

Partilhe:


Em apenas três dias ficou à vista de todos aquela que é a vulnerabilidade do nosso país. Três dias bastaram para que Portugal parasse em torno da corrida aos combustíveis e no momento em que escrevo este Editorial não se antevê ainda o fim da greve dos motoristas de matérias perigosas.

O direito à greve está consagrado na Constituição da República Portuguesa e é indiscutível. Argumentar no sentido contrário não nos levaria a lado nenhum. 

O que será preciso é que haja diálogo e bom senso para que sejam minimizados os prejuízos para a sociedade civil. A requisição civil não é suficiente. Será preciso resolver o que está na base desta paralisação numa medida que seja justa para as partes envolvidas.

Não será fácil.

A verdade é que também esperei bastante para conseguir abastecer o meu automóvel, esperei o tempo suficiente para pensar naquilo que em se havia transformado o nosso país num tão curto espaço de tempo. 

A verdade é que apesar de hoje se falar muito de mobilidade sustentável estamos, mais do que nunca, presos a um combustível que é tudo menos sustentável. O conceito “verde” até está a moda mas, para já, não é muito mais do que isso.

E depois pensar também que tudo aquilo que hoje damos como adquirido, amanhã mesmo pode não o ser e nós não estamos preparados para isso. 

O que tem sido visível através do ambiente stressante que se vive nas imediações dos postos de combustível e o quão rápido deixamos de ser seres humanos simpáticos e agradáveis para nos transformarmos em algo difícil de descrever. 

Nem quero imaginar como será em países em que se alongam as filas para se aceder a um saco de farinha ou de arroz.

Tudo para dizer que aquilo que esperamos é que o país regresse à normalidade e que saibamos todos reconhecer a importância e o papel de cada categoria profissional no dia-a-dia do nosso país mas também refletir sobre as consequências que as nossas ações podem fazer repercutir na vida dos outros.