Acendam-se as luzes de AZUL, pois de AUTISMO se fala!

Raquel da Silva Fernandes

2017-04-13

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Abril Azul. No passado dia 2 de abril, celebrou-se o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, designado desde 2008 em Assembleia Geral das Nações Unidas. Foram vários os edifícios, de Norte a Sul do país, que acenderam as luzes (de azul), dando assim, mais uma vez Voz ao projeto “Autism Speaks”, através da iniciativa “Light it up Blue”, que mais um ano viu cumprir o seu objetivo de, em Todo o Mundo, um maior número de edifícios (museus, monumentos, edifícios públicos, …) se iluminassem.
Fala-se muito de Autismo, mas impera clarificar o que é. Leo Kanner em 1943, psiquiatra infantil austríaco, deu resposta científica, descrevendo num artigo cujo nome é “Autistic Disturbances of Affective Contact” um estudo de caso referente a 11 crianças, onde as mesmas demonstraram ”um isolamento extremo desde o início da vida”. Hoje, crianças autistas apresentam, sobretudo, caraterísticas tais como: “défice grave e global em diversas áreas do desenvolvimento: competências sociais, competências de comunicação ou pela presença de comportamentos, interesses e atividades estereotipadas”.
Aqui, importa chamar atenção para o trabalho louvável que tem vindo a ser desenvolvido pelos profissionais que lidam com estas crianças e, sobretudo, para o trabalho cada vez mais transdisciplinar que se evidencia, quer em equipa, quer com a família. Destaco, também, de uma forma ainda mais importante que, a identificação e a intervenção nestas crianças seja cada vez mais precoce e, que a mesma não incida apenas na criança, mas sim, na criança e respetiva família, olhando o problema como um Todo.
Em 2016, muitos foram os eventos que decorreram na sede das Nações Unidas em Nova Iorque e que marcaram este mesmo dia. O tema em debate foi “Autismo e a Agenda 2030: Inclusão e Neurodiversidade”. Destaco as palavras do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon onde afirmou que a “participação igualitária e o envolvimento ativo das pessoas com autismo serão essenciais para alcançar as sociedades inclusivas vislumbradas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.
Em 2017, renovaram-se os votos, pelas palavras do atual secretário-geral da ONU, António Guterres, em que ”todos renovem a promessa de não deixar ninguém para trás e assegurar que todos possam contribuir como membros de sociedades ativas e prósperas como estipulado pela Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, no debate cujo título foi “Em Direção à Autonomia e à Auto-Determinação”.
Sendo certo que “a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências é clara e, a igualdade perante a lei são já direitos inerentes que as pessoas com Autismo usufruem em igualdade de condições com outros membros da sociedade”, no que tem que ver com a capacidade jurídica, para o atual secretário-geral, António Guterres, “com esse apoio, as pessoas com autismo vão se sentir empoderadas para enfrentar importantes desafios na vida de cada um, como decidir onde e com quem morar ou se quer casar e constituir uma família”.
Nesse mesmo debate Guterres concluiu, “com oportunidades iguais para autonomia e Auto-Determinação, as pessoas com autismo se sentirão com mais poder para ter um impacto positivo mais forte no futuro”.
A OMS (Organização Mundial de Saúde) defende que o Autismo afeta 1 em cada 160 crianças no Mundo e, que as crianças ainda “sofrem com o estigma, com a discriminação e as violações dos Direitos Humanos”. Assim, apelo para que tomem consciência da Inclusão e do que é, respeitando, sobretudo a diferença…pois para Augusto Cury “o sonho da igualdade só cresce no terreno do respeito pelas diferenças”.