Candidato garante que PSD não está na sombra da coligação
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O candidato à presidência da Comissão Política do PSD de Vizela foi no último sábado, dia 06, o convidado do “Grande Auditório”. As eleições terão lugar em finais de Abril, mas Francisco Ribeiro garante que o seu projecto será de continuidade, admitindo desde logo que só avançou com uma lista pelo facto do actual líder não poder recandidatar-se ao cargo.
RVJornal (RVJ) – Liderar a Comissão Política do PSD de Vizela sempre foi um dos seus objectivos?
Francisco Ribeiro (FR) – Não é, necessariamente, um dos meus objectivos, mas sempre quis ajudar esta secção a ser fiel representante dos anseios dos vizelenses. Devido à impossibilidade do dr. Miguel Lopes se recandidatar a novo mandato, a actual Comissão Política apostou em mim para ser seu sucessor. Aceitei o desafio.
RVJ – Só é candidato à presidência do PSD de Vizela, porque Miguel Lopes não pode recandidatar-se ao cargo?
FR – Neste momento, pode dizer-se que sim. Acompanho o dr. Miguel Lopes há cerca de 12 anos e com ele nunca tive qualquer cisão. Portanto, se este pudesse recandidatar-se, provavelmente, continuaria como seu braço direito na vice-presidência.
RVJ – Isto para dizer que não apresentaria uma lista concorrente a uma candidatura de Miguel Lopes…
FR – Neste momento, claramente que não.
RVJ – Se Miguel Lopes pretender voltar à liderança quando o PSD for novamente a votos em 2012, irá recuar não apresentando uma candidatura?
FR – Está a partir do pressuposto que o dr. Miguel Lopes quer assumir a liderança do PSD em 2012. Mas eu não tenho muito jeito para futurologia.
RVJ – Mas a política também se pensa a médio prazo?
FR – Neste caso, não. Se o dr. Miguel Lopes for a pessoa indicada para reassumir o projecto em 2012, provavelmente, não apresentarei uma candidatura.
RVJ – Será importante para Miguel Lopes, por uma questão de visibilidade, estar na liderança do PSD se pretender recandidatar-se à da Câmara de Vizela em 2013?
FR – O dr. Miguel Lopes é e será nos próximos quatro anos o líder da coligação, independentemente de ser ou não presidente do PSD.
RVJ – Vencendo as eleições de Abril será o alter-ego de Miguel Lopes? O perfeito substituto do actual líder, a pessoa em quem este pode delegar a sua representação na certeza de que pensará e agirá como ele pensaria ou agiria…
FR – O dr. Miguel Lopes tem por hábito ouvir a equipa e defender as ideias da maioria. Eu farei exactamente o mesmo, sendo que o dr. Miguel Lopes fará parte desse grupo.
RVJ – Mas é frequente na vida política um dirigente ter um alter-ego como colaborador destacado, alguém habilitado a assumir fielmente as suas funções….
FR – Tenho a honra de trabalhar muito intimamente com o dr. Miguel Lopes, mas não mais do que isso. Apesar de partilharmos muitas ideologias, políticas e pessoais, não somos a mesma pessoa. Também temos diferenças.
RVJ – Falamos de que diferenças?
FR – Há várias, a começar pela maneira de ser. Apesar de me relacionar facilmente com as pessoas não tenho o mesmo à vontade do dr. Miguel Lopes, principalmente na política de rua. Este consegue, facilmente, persuadir as pessoas, enquanto que eu demoro mais algum tempo a fazê-lo. A própria maneira de vivermos a política é diferente. Sou mais recatado. Mas, no trabalho, somos ambos metódicos e empenhados.
RVJ – A sigla do PSD não estará, nesta altura, escondida atrás de uma coligação que junto da população se quer afirmar como apartidária?
FR – Penso que não. É do conhecimento da população que a coligação tem por base a junção de dois partidos políticos. Concordo se me disser que, neste momento, a coligação tem mais visibilidade do que qualquer um dos dois partidos, mas o PSD de Vizela está vivo e sem ele esta aliança política não existiria.
RVJ – Hoje em dia, a sede do PSD recebe mais social-democratas ou vizelenses que se dizem independentes?
FR – É uma contabilidade que nunca fiz. Há reuniões em que tudo acontece.
RVJ – É desta forma que pretende aumentar a militância do PSD, abrindo a sede aos independentes…
FR – Será instituído um dia fixo no mês para receber, na sede do PSD, todos os que queiram lá se dirigir. Será também criado um endereço electrónico e disponibilizado um número de telemóvel com horário de atendimento. Não somos poder, mas temos voz activa na sociedade vizelense. Se a solução dos problemas não estiver ao nosso alcance intercederemos junto do poder local.
RVJ – Já disse querer aumentar a militância para incrementar a capacidade de debate interno. Falta isso ao PSD de Vizela?
FR – Não. Mas quanto mais pessoas participarem, mais rico será o debate.
RVJ – Se vencer as eleições terá em mãos não só o PSD de Vizela, mas parte de uma coligação, que trabalha em conjunto com o CDS/PP. Será difícil dissociar uma coisa da outra. Nestes casos, a sigla do PSD tem de ficar à porta da sede?
FR – A sigla do PSD nunca fica à porta da sede. Aquele é também o espaço da coligação, mas os interesses do PSD são sempre representados pelo líder do partido.
RVJ – Não gostaria que alguns rostos que integram hoje a coligação como independentes se tivessem já filiado no PSD e integrado esta sua candidatura?
FR – Gostava que qualquer elemento independente, da coligação ou não, fosse militante do PSD.
RVJ – Especialmente estes?
FR – Sim, porque são pessoas válidas e que lutam pelos reais interesses de Vizela.
RVJ – Falamos de quem em particular?
FR – De todos, sem particularizar.
RVJ – Mas há alguns que têm assumido maior destaque na cena política vizelense. Falo, nomeadamente, de Miguel Machado e António Manuel Pacheco…
FR – Há quem tem mais visibilidade, mas todas têm trabalhado nas reuniões semanais.
RVJ – Nos últimos tempos, não têm tido estes independentes maior visibilidade política do que os próprios militantes do PSD e do CDS/PP?
FR – Sinceramente, acho que não. A visibilidade que está a ser dada a qualquer um dos independentes não retira o espaço dos partidos.
RVJ – Alguns dos assuntos mais delicados têm sido debatidos por independentes…
FR – Tem calhado. Não há interesse em colocar os partidos acima da coligação. É isso que cria alguma confusão a algumas pessoas. Mas os elementos que compõem a coligação estão mais preocupados com Vizela do que com os partidos.
RVJ – Mas uma perda de visibilidade do PSD de Vizela não deverá preocupar o próximo líder da concelhia?
FR – O PSD tem de ter visibilidade, mas não pode querer ocupar o lugar da coligação.
RVJ – Ainda, na semana passada, escrevia a revista “Sábado”, que alguns independentes se consideram enviados de Deus para salvar o mundo. Partilha desta opinião ou trata-se de um uma consideração injusta?
FR – Deve ser uma afirmação de um político magoado. Devemos estar na política para servir o próximo, colocando as pessoas que estão melhor preparadas para defender as reais soluções para os problemas que se deparam, sendo ou não independentes.
RVJ – Acredita que há pessoas que estão na política e que são absolutamente apartidárias? Acha que isso é possível?
FR – Ao nível local, acho que sim. Há a definição de uma estratégia para um concelho e é muito fácil as pessoas identificarem-se com um projecto, mesmo não partilhando da ideologia de nenhum partido. Já na política nacional há uma ideologia partidária que muitas vezes supera os reais problemas das populações.
RVJ – Sente que ainda há pessoas que vão para a política pelo estatuto social?
FR – Claramente que sim, porque há pessoas que gostam de ter visibilidade mas esquecem-se, muitas vezes, que também há o reverso da medalha. Quando não estamos preparados para assumir determinado cargos, a visibilidade poderá ser negativa. Contudo, o estatuto conquista-se não com a política, mas com a nossa forma de estar na vida.
RVJ – Também existirão pessoas que ingressam na política por meros ajustes de contas pessoais?
FR – Quero acreditar que não. Contudo, muitas vezes, na política assistimos a situações complicadas e injustas, em que se faz o possível, por vingança pessoal, para prejudicar alguém. A isso já assisti.
RVJ – Foi no PSD de Vizela ou na coligação?
FR – Já assisti na política vizelense, não dentro do PSD de Vizela.
RVJ – É social-democrata da cabeça aos pés? É um homem de direita?
FR – Sou claramente um homem de direita. Não sou pessoa de virar a casaca. Acredito que o PSD é o que melhor defende os interesses de Vizela e do país e a sua grande bandeira é o pluralismo de ideias. As pessoas podem exprimir-se sem ter medo de serem sancionadas, o que não acontece em outros partidos.
RVJ – Tem a sua equipa formada e já garantiu que dela faz parte a maioria dos elementos que compõem a actual Comissão Política do PSD de Vizela…
FR – Temos uma equipa, com cerca de 20 pessoas, que trabalha já há alguns anos e que na sua essência continua a mesma, tendo sido enriquecida com algumas caras novas e que conta com o apoio da JSD.
RVJ - O PSD não é hoje um partido envelhecido, que precisa de sangue novo, apesar da juventude do seu líder?
FR – Todos os partidos precisam de sangue novo. O PSD de Vizela tem crescido a partir de várias gerações.
RVJ – O PSD ainda é visto como um partido elitista?
FR – Na minha opinião, o PSD não é um partido elitista. Tentou-se criar essa imagem, mas o PSD é um partido plural, constituído por pessoas de várias classes sociais.
RVJ – Já disse que não acredita que uma outra candidatura se apresente a sufrágio. Acha que é mesmo isso que vai acontecer?
FR – Penso que sim e lamento que assim seja. Não vi até hoje movimentação de outro militante do PSD para criar uma alternativa dentro do partido.
RVJ – Como uma das motivações desta sua candidatura fala num projecto que diz não estar concluído, referindo-se a uma vitória autárquica. O que o leva a crer que em 2013 verá esse objectivo alcançado?
FR – A grande meta foi alcançada nas últimas eleições.
RVJ – O actual líder disse que não…
FF – A coligação não ganhou as eleições, mas as pessoas passaram a acreditar que o PSD, no seio de uma coligação, pode ganhar a Câmara, a Assembleia Municipal e as várias Juntas de Freguesia.
RVJ – A relação das populações com a política é cada vez de maior descrença. Para muitos, a política é apenas uma disputa pelo poder e pelo dinheiro. Por isso, aproximar a comunidade do PSD não deverá ser tarefa fácil...
FR – O PSD sempre teve o cuidado de andar na rua e procurar estar presente nos momentos importantes. Os elementos que estão no PSD não são profissionais da política e, por isso, não podem ser encarados como pessoas que estão na política em busca de alguma coisa.
RVJ – No entanto, trabalham para uma vitória eleitoral e, nesse caso, pelo menos alguns, passariam a viver da política…
FR – É o risco de qualquer político.
RVJ – Não será um risco, mas um anseio. Quem concorre, quer ganhar…
FR – Quem concorre pode ganhar, esse é o risco. E, em caso de vitória, têm de suspender as suas actividades profissionais para passarem a desempenhar o papel para o qual foram eleitos.
RVJ – Para terminar, cito José Hermano Saraiva que numa entrevista dizia que “a política é uma forma de enganar o povo”. Como comenta a afirmação deste conhecido letrado?
FR – Quando sentir que não posso dar nada à população, serei o primeiro a afastar-me. Considero que a maior parte dos políticos está para ajudar e servir. Se me disserem que há pessoas menos sérias e corruptas que se aproveitam da política, é importante referir que também os há em todas as profissões.


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