VIM: A ligação mais mortal que ninguém quer assumir
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As palavras sobem de tom entre os autarcas que dirigem as Câmaras Municipais, integradas na AMAVE, quando o assunto em questão é a VIM. Enquanto Governo não assumir a ligação, cabe aos autarcas proceder à manutenção da estrada. O presidente da AMAVE, assegura que vai reunir com o Secretário de Estado das Obras Públicas e solicitar-lhe que a VIM seja transformada em SCUT.
O acidente mortal que vitimou uma mulher e um bebé, na VIM, em Dezembro último, relançou a discussão sobre o estado da via.
A VIM é uma das mais mortais da região e estende-se ao longo dos concelhos de Vila Nova de Famalicão, Guimarães, Santo Tirso e Vizela. Cabe à AMAVE proceder à manutenção da via, mas não há suportes suficientes e o Governo não assume a ligação.
A falta de segurança é gritante e o resultado é um crescente número de vítimas mortais. Nos últimos cinco anos, registou mais de 12 mortos, vítimas de acidentes de viação. Senão vejamos: Piso degradado, sinalização apagada ou escondida pela vegetação, rails danificados, falta de iluminação e de separador central nas zonas críticas, falta de cruzamento desnivelado na zona de Pedome – Oliveira Santa Maria, falta de semáforos eficazes no cruzamento de Serzedelo – Guardizela e muito mais.
Há sensivelmente um ano, os referidos presidentes de Câmara, decidiram por unanimidade, em reunião da AMAVE, que cada um faria a conservação na sua área, enquanto não surge resposta concreta por parte do Governo.Mas, agora, há discordância no que toca a responsabilidades, que já originou alguma troca de galhardetes entre António Magalhães, autarca de Guimarães, e Armindo Costa, presidente da Câmara de Vila Nova de Famalicão.
Recentemente, António Magalhães anunciou que iria fazer obras no troço que passa no seu concelho. Na altura, Armindo Costa acusou o seu homólogo de “não estar à-vontade para pedir que o Governo assuma as obras porque tem a Capital Europeia da Cultura em 2012 e que deveria ficar calado”.
“O que origina isto é uma postura enviesada do colega de Famalicão que, tendo votado por unanimidade uma proposta no seio da AMAVE, acabou por passar para a praça pública algo que não aconteceu na reunião”, disse António Magalhães, ao RVJornal. O autarca foi mais longe ao afirmar que a atitude de Armindo Costa teve a ver com “a intervenção efectuada por alguns municípios”. “Deu origem a uma leitura daqueles que não estão de acordo com esta atitude mas que a votaram no sítio próprio. Daí a minha indignação que será mais acesa na próxima reunião da AMAVE”, atirou o autarca vimaranense.
António Magalhães acusou ainda o presidente de Famalicão de fazer “gala para o exterior”. “Se houver um acidente num sítio que não seja tratado e que a responsabilidade seja imputada à AMAVE, a Câmara de Guimarães não vai partilhar essa responsabilidade e ganharemos a batalha”, avisou.
Armindo Costa no estrangeiro
Apesar de todos os contactos efectuados para obter uma reacção por parte do edil famalicense, tal não foi possível. O autarca encontrava-se fora do país e não delegou discurso, entendendo que este é um assunto ao qual só ele poderá dar voz.
Em relação às intervenções que têm que ser asseguradas por cada município, o presidente da Câmara de Famalicão já veio dizer que só as fará quando se esgotarem todas as possibilidades junto do Governo.
Sobre esta celeuma entre autarcas, o presidente da Câmara de Vizela não se mostra preocupado: “O sr. presidente de Famalicão, na reunião na AMAVE, limitou-se a dizer que só tapava os buracos, e é da responsabilidade dele”. Dinis Costa assegurou que a intervenção em Vizela está concluída, estando a faltar passeios. O edil vizelense aproveitou para lançar um aviso: “Não pagámos o que não nos pertence e os autarcas envolvidos que se entendam. Cada um que trate de si”.
Castro Fernandes não comenta discórdia
“Não vou comentar”, afirmou Castro Fernandes, presidente da Câmara de Santo Tirso e responsável máximo da AMAVE. “Penso que haverá um problema para resolver, mas eles vão-se entender. Os autarcas do Ave sempre se entenderam”, acrescentou.
Castro Fernandes lembra que o investimento que é necessário para recuperar todo o pavimento da VIM, “custa muitos milhões e as Câmaras não têm condições para assegurar esta verba”. O presidente da AMAVE já solicitou a Paulo Campos, Secretário de Estado das Obras Públicas, uma reunião urgente. Diz Castro Fernandes que existe outra possibilidade de resolver o dilema VIM: “Caso não seja possível integrar esta via na Estradas de Portugal, queremos pedir ao Secretário de Estado para que a integre nas SCUT, rede sem cobrança para o utilizador. É uma decisão política e aguardemos”.
Sobre esta matéria, o edil de Vizela já descartou qualquer esperança vinda do Governo: “O Governo não assume esta responsabilidade. Já falei com o engenheiro Paulo Campos e isso ficou claro. Já andamos nisto há oito anos e não acredito que surja agora uma varinha mágica”.
Enquanto não há resposta governamental, “há muito a fazer e os autarcas devem assumir as responsabilidades”, adiantou Dinis Costa, acrescentando: “Assumi as minhas e a VIM em Vizela é segura”.
Vizela já fez a sua parte
Autarca diz que não paga tostão por ninguém
Vizela é o único concelho integrante da AMAVE que tem já a sua parte da ligação requalificada. Segundo Dinis Costa, a repavimentação foi efectuada ao longo do 1,5 km que lhe pertence: “Uma repavimentação que nos custou 76.177,49 euros + Iva. Limpámos as valetas, repavimentámos as bermas, fizemos as pinturas horizontais, as passadeiras e a sinalização”.
O edil congratula-se por não ter sido registado qualquer acidente grave na parte da via que diz respeito a Vizela. “Estamos ainda a tratar da construção de passeios até ao limite da VIM/Vizela”, deu ainda conta. “Todos os autarcas devem contribuir e fazer a sua parte. Vizela já fez e, pelos vistos, Guimarães e Santo Tirso também estão nessa disponibilidade”, adiantou o autarca vizelense.


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