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Um pequeno gesto que pode salvar uma vida

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No próximo dia 13 de Fevereiro, a Associação dos Dadores Benévolos de Sangue de Vizela promove, em parceria com o Centro de Histocompatibilidade do Norte, uma campanha de angariação de dadores de medula. A alguns dias da iniciativa, importa, desde logo, desmistificar o acto da doação.

Ser dador de medula é, nos dias de hoje, praticamente equivalente a ser dador de sangue. Mas, apesar do aumento do número de dadores, ainda persiste o medo e a ideia errada de que é necessária uma delicada intervenção cirúrgica. São já várias as iniciativas que se concentram na procura de novos dadores. No entanto, continua a ser primordial desmistificar o acto da doação. “Há alguns mitos sobre o que é dar medula óssea. O próprio nome leva as pessoas a pensar que é aquilo que na realidade não é”, admite Helena Alves, directora do Centro de Histocompatibilidade do Norte.

 

Medula espinal v.s. medula óssea

 

O próprio conceito de medula óssea potencia a desinformação. “As pessoas pensam que a medula óssea está na coluna, nas costas. Pensam, que é o que se chama de espinal-medula. Não é verdade. A espinal-medula é completamente diferente daquilo que é a medula óssea. A primeira está dentro das vértebras. O que nós procuramos é a medula óssea, o chamado tutano do osso, que existe nos ossos longos e nos ossos achatados”, esclarece a directora, completando: “Quando é necessária fazer a colheita de células estaminais a partir da medula óssea, a picada é feita a nível do osso da bacia. Mas nem isso é já habitualmente feito. Faz-se uma mobilização, através de medicamentos, das tais células estaminais, e elas saem da medula óssea para a circulação a um ritmo mais rápido de forma a estarem presentes numa colheita única do sangue periférico. É feita uma colheita no braço, tal como é feita habitualmente nos dadores de sangue”.

 

Um pequeno grande gesto

 

Em Portugal existem cerca de 143 mil dadores de medula óssea. Números que não chegam, com a estatística a não deixar margem para dúvidas: 20% da população mundial ainda não consegue encontrar um dador compatível, só 25% dos doentes tem um dador compatível na família e a taxa de sucesso do transplante ainda se fixa nos 80%. Ainda muito há a fazer por uma vida, por várias vidas, que podem ser salvas com um pequeno gesto. Alcinda Machado, enfermeira de profissão, dadora, é um dos exemplos a seguir, de quem venceu medos, informou-se e se juntou ao Banco Mundial de Dadores: “É uma questão de dar e esperar para receber essa compensação [ser compatível]. De facto, é dar abertamente, é abrir o coração para conseguirmos ajudar o outro. Da nossa parte, ao estarmos disponíveis, esse é o grande gesto. Tudo o resto que poderá vir, pelo facto de podermos ajudar, será ainda melhor. Mas o passo que tínhamos de dar está dado. É um acto de solidariedade básico”.

Reportagem para conferir na íntegra na próxima edição do RV Jornal, nas bancas esta quinta-feira.

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