Jovem de Moreira de Cónegos trabalha com a Fórmula 1

Peças feitas na empresa melhoram o rendimento dos carros de corrida

Kasoku Cad Cam Lda é o nome da empresa de Célio Neves e do seu pai, Agostinho Neves, em Moreira de Cónegos. Kasoku, que em português quer dizer família, palavra que se adequa na perfeição ao contexto desta empresa, de cariz familiar. O trabalho com a Fórmula 1 tem sido o que mais se destaca na empresa.

Fundada no início de 2017 quando Célio Neves ainda estudava, a Kazoku começou a desenvolver a sua atividade na metalomecânica, para empresas têxteis, setor aeronáutico e medicinal, passando algum tempo depois a trabalhar para o setor automóvel. Um trabalho desenvolvido com marcas como a BMW, Mercedes e Porsche, primeiro através de intermediários e depois diretamente com Célio Neves a liderar o processo de negociação com os gigantes desta indústria, num novo desafio, apesar dos seus 19 anos de idade.  Primeiro veio o convite para assistir ao lançamento de um novo modelo do Porsche Panamera, surgindo depois disso a oportunidade de estreitar o relacionamento com os responsáveis da marca, como refere: “Tornou-se tudo mais fácil a partir dessa altura, isto porque me apresentaram responsáveis de outras marcas, como a Lanborghini e a Ferrari”.

Contactos feitos foi sempre a subir: “As marcas diziam-nos o que queriam e nós produzíamos. Este é um mercado que não está ao alcance de qualquer um, eu acabei por ter sorte, pois conheci as pessoas certas”, admite o jovem empresário.

Célio Neves revela o trabalho que a sua empresa produz, com o intuito de melhorar o rendimento dos   automóveis de Fórmula 1. “Nós analisamos a aerodinâmica do carro, travões, assentos e mesmo o interior do carro e aconselhamos o que é preciso fazer ao nível da performance. Não há encomendas, nós é que dizemos à marca, “olhe o seu carro é bom, mas podia ser melhor com determinada situação”. A partir daí, as marcas aceitam ou não o que lhe propomos”. O objetivo é ter carros mais rápidos: “Melhoramos a performance para que o carro vá do 0 aos 100 mais depressa, melhoramos a travagem e o arranque. O objetivo é fazer os carros ganhar segundos e fazer com que travem mais tarde, dando assim a oportunidade para que ultrapassem melhor os adversários”.

Um trabalho que implica tempo e dedicação, até porque “são construídas peças únicas, porque não fazem produções em série”.  Depois da modelação das peças, elas são testadas e depois enviadas para as marcas, quando a peça é utilizada, muitas vezes a empresa é chamada a estar presente. “Na maior parte das vezes estamos presentes para garantir que tudo está dentro dos parâmetros que nós aconselhamos para o teste e para alcançar a performance que nós prometemos”.

 

A presença dos Grandes Prémios e o convívio com os pilotos

 

No inicio de maio, Célio Neves esteve no Grande Prémio de Espanha, no circuito da Catalunha, uma entre muitas presenças em Grandes Prémios. Estar neste mercado permiti-lhe conhecer melhor as escuderias e os próprios pilotos. “Quando estive em Barcelona, tive o privilégio de conhecer e falar com o Nikki Lauda, que faleceu recentemente. O maior adepto da Fórmula 1 e da velocidade até é o meu pai, mas eu também gosto”.  À reportagem do RVJornal, explicou o ambiente que se vive nas boxes das grandes marcas. “É um conjunto de várias emoções, no tempo em que os carros estão a competir as boxes são um sossego. Mas a partir do momento que um carro pára na boxe vive-se mesmo a emoção de fazer o melhor em poucos segundos. É uma confusão, uma correria, uma coisa que vale a pena ver e viver”. Por esta altura a Kazoku trabalha com na Fórmula 1, na Ferrari e na Williams e já recebeu um convite da Mercedes. No entanto, Célio Neves entende que “para já não vale a pena estar a mudar”, pois começou a temporada com a Ferrari e com a Williams e no final da época decidirá se vai ou não trabalhar com a Mercedes”.

Questionado se este é um mercado em que vale a pena apostar, afirma que sim, mas se houver disponibilidade para aguardar o tempo estipulado pelo pagamento dos clientes. No entanto, diz não ser “necessário discutir preços, não se discute os cêntimos como em Portugal, é um mercado onde se pode ganhar um pouco mais”. Garante ainda que este é “um projeto que se pode desenvolver por mais alguns anos”, mas que não quer trabalhar apenas para este setor. O desafio maior é “mantermo-nos a este nível e melhorar cada vez mais, para continuar a garantir este mercado”, destaca Célio Neves.