Radio Vizela - 97.20FM: As Hidras no Poder As Hidras no Poder ================================================================================ António Veiga on 04/03/2010 19:22:00 O mundo vive cada vez mais das mentiras paridas do dia-a-dia dos poderes políticos e económicos dominantes. Basta pensarmos nos escândalos que imperam nas notícias, revelando o grau de susceptibilidade que os mesmos se influenciam expondo que cada vez mais o poder económico subjuga o político e sendo os lugares de decisão do económico refugo para políticos. A especulação financeira está no cerne da actual crise e o tempo provará que as instituições financeiras e o neo-capitalismo acabarão por se os mais beneficiados em detrimento do vulgar cidadão: os sacrificados do costume. A conivência das instituições financeiras com o poder político ajudou a arrastar a Grécia, e Portugal será que ruma seguramente? As últimas notícias têm desacreditado o Governo Português, e em particular o Primeiro Ministro que se vitimiza da comunicação social e dos jornalistas ficando cada vez mais jargão e solipso. O facto é que os poderes instituídos em Portugal comportam-se, tipo Hidra, raramente metazoário celenterado mas antes serpente monstro, pois o primeiro alimenta-se de peixes pequenos enquanto o outro come tudo para saciar o seu apetite devorador, a quem a comunicação social lhes serviu, como hidróides, para atrairem as vítimas distraídas, qual canto fatal das sereias com o seu aranzel levando a um sopor das massas. Por isso, a tentação de controlar, para orientar a satisfação da sua gula, transformando-se num polvo gigante, esse cefalópode, que usa os tentáculos, para abraçar as vítimas depois de as cegar com o líquido que transporta na bolsa e as tornar em alimárias. De modo semelhante, os senhores do dinheiro, investem na captura de serviços públicos, através dos infiltrados, que sustentam em tempos de campanhas, para capturarem as presas cegas, rentabilizando o capital investido, sem se preocuparem com a qualidade do que produzem ou fornecem mas com o lucro. Assim vai o país, mas não será um “dejá vu” de Vizela, onde a liberdade de imprensa era uma ameaça aos poderes instituídos, autênticos sacripantas e se dava preferências institucionais a órgãos de comunicação e quantas vozes dos agora tão críticas se silenciaram revelando ser autêntico beneplácito. A liberdade de expressão é sempre uma arma da democracia, não sendo a única. Será impensável um mundo actual sem informação mas pior é com informação controlada cujo objectivo primordial é manipulação. A manipulação tem sempre a limitação de horizontes e se centrada numa só pessoa ou interesse mais limitada e perigosa se torna. A liberdade de expressão para o ser realmente deve ser uma expressão da liberdade. Não se é mais democrata quando se ouve muito e que se dê às palavras uma elasticidade proporcional ao seu não-significado, permitindo que coisas completamente diferentes se tornem sinónimas aos olhos das massas, ao mesmo tempo que não designam em si mesmo nada de concreto. Pensem nisso.